MORTES DE INDÍGENAS IDOSOS POR COVID-19 COLOCAM EM RISCO LÍNGUAS E FESTAS
TRADICIONAIS QUE NÃO PODEM SER RESGATADAS
A Covid-19 mata
mais os idosos e são eles a fonte histórica dos indígenas brasileiros. Os
antigos Guajajara, no Maranhão, cantam os rituais. Na aldeia dos karipuna, em
Rondônia, Katica e Aripã têm as tatuagens tradicionais e mantêm a língua
tupi-kawahib. Os anciãos, que ensinam os mais jovens, correm risco de morrer ou
já foram perdidos para a doença.
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Não
há um balanço oficial de mortes indígenas por Covid-19 por idade. Sabe-se que
são 187 mortes até esta quinta-feira (9), de acordo com a Secretaria de Saúde
Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde. Ou, como diz o levantamento da
Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), 453 mortos. Não há consenso
também sobre o número geral de vítimas da doença.
Cada
caso é divulgado, então, por quem vive perto das aldeias. Aloisio Cabalzar,
antropólogo do Instituto Socioambiental (ISA) no Rio Negro, diz que a tradição
das sociedades indígenas é basicamente oral. Em geral, são as pessoas mais
velhas que passam o conhecimento para as mais jovens.
"Os idosos são o principal grupo de risco. É o
que está acontecendo: estamos perdendo o conhecimento" - Aloisio Cabalzar,
antropólogo
Na região do Rio Negro, o
ilustrador Feliciano Lana, de 82 anos, desenhou por mais de 30 anos o que
assistia na Amazônia. Era "calmo e generoso", como descreveu Cabalzar.
Por Carolina Dantas, G1

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